Como enfermeira, aprendi que prevenir doenças e fortalecer a atenção básica é o caminho mais eficiente para salvar vidas e oferecer mais qualidade de vida à população
Por Paula Guedes – Enfermeira e vereadora em Corinto (MG)
Ao longo da minha trajetória como enfermeira, aprendi uma lição que levo para a vida pública: cuidar da saúde não começa quando o paciente chega ao hospital. Na verdade, começa muito antes, na prevenção, no acompanhamento das famílias, na orientação correta, na vacinação, no pré-natal, na consulta de rotina e na atenção dedicada às pessoas antes que a doença apareça.
Quem trabalha na linha de frente da saúde percebe diariamente que muitas internações poderiam ser evitadas se conseguíssemos fortalecer ainda mais a atenção básica. Essa é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e, ao mesmo tempo, a principal oportunidade que temos de promover qualidade de vida para a população.
Como profissional da enfermagem, acompanhei histórias que reforçam essa convicção. Vi pacientes descobrirem doenças em estágio inicial graças a exames preventivos. Vi idosos recuperarem qualidade de vida porque receberam acompanhamento contínuo. Vi gestantes atravessarem toda a gravidez com segurança porque tiveram acesso ao pré-natal. São experiências que mostram que investir em prevenção não é apenas uma escolha administrativa; é uma forma de cuidar das pessoas com responsabilidade e respeito.
Atenção básica é investimento, não despesa
Quando falamos em saúde pública, é comum que as pessoas pensem imediatamente em hospitais, ambulâncias e cirurgias. Tudo isso é importante, mas existe uma etapa anterior que muitas vezes recebe menos atenção do que deveria.
As Unidades Básicas de Saúde, as equipes da Estratégia Saúde da Família e os profissionais que atuam diretamente nas comunidades desempenham um papel fundamental na prevenção de doenças e na promoção da saúde. É ali que muitas enfermidades podem ser identificadas precocemente, evitando complicações futuras e reduzindo a necessidade de tratamentos mais complexos.
Fortalecer a atenção básica significa ampliar o acesso aos serviços de saúde, reduzir filas, melhorar o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e garantir que crianças, gestantes, idosos e pessoas com deficiência recebam o cuidado adequado no momento certo.
Como enfermeira, sei que cada consulta preventiva representa uma oportunidade de evitar sofrimento no futuro.
Cuidar das pessoas exige profissionais valorizados e políticas públicas eficientes
Nenhum sistema de saúde funciona apenas com boas intenções. É preciso investir em estrutura, equipamentos, capacitação profissional e políticas públicas permanentes.
Nos últimos anos, tenho acompanhado debates importantes sobre propostas que fortalecem a prevenção, ampliam o acesso aos exames e garantem diagnósticos mais precoces. Iniciativas legislativas voltadas para áreas como saúde ocular infantil, fortalecimento dos hospitais filantrópicos e ampliação do acesso aos medicamentos demonstram que é possível construir soluções que beneficiem diretamente a população.
Também acredito que precisamos valorizar cada vez mais os profissionais da saúde. Médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários, fisioterapeutas, farmacêuticos e tantos outros trabalhadores dedicam suas vidas ao cuidado das pessoas. Eles precisam de condições adequadas para exercer sua missão e de políticas públicas que reconheçam a importância do trabalho realizado diariamente em cada unidade de saúde do país.
Como vereadora, procuro levar essa experiência da enfermagem para o mandato. As decisões tomadas no Legislativo têm impacto direto na vida das pessoas e podem contribuir para fortalecer a rede de atendimento, ampliar investimentos e garantir serviços públicos de melhor qualidade.
Prevenir é a forma mais humana de cuidar
Vivemos em uma época em que a medicina evolui rapidamente, surgem novos tratamentos e a tecnologia amplia as possibilidades de diagnóstico. Mas nenhuma inovação substitui algo que continua sendo essencial: o cuidado preventivo.
Prevenir significa orientar, acolher, acompanhar e construir vínculos de confiança entre os profissionais de saúde e a comunidade. Significa incentivar hábitos saudáveis, promover campanhas de vacinação, estimular a realização de exames periódicos e garantir que cada cidadão tenha acesso às informações necessárias para cuidar da própria saúde.
Sempre digo que a enfermagem me ensinou a olhar primeiro para a pessoa, e não apenas para a doença. Esse aprendizado continua guiando minha atuação na vida pública.
Tenho convicção de que uma sociedade mais saudável se constrói com planejamento, investimento e compromisso com as pessoas. E esse compromisso começa muito antes do hospital. Ele começa na prevenção, na atenção básica e na certeza de que cuidar da saúde é, acima de tudo, cuidar da vida.