Saúde

Venda fracionada de medicamentos pode reduzir o desperdício e ampliar acesso aos tratamentos

Publicado em 11/09/2026

Milhões de brasileiros compram mais comprimidos do que precisam. Projeto de lei propõe a venda fracionada de medicamentos. Farmácias irão disponibilizar apenas a quantidade prescrita pelo médico para evitar o desperdício.

Quem nunca terminou um tratamento médico e ficou com parte da cartela de remédios esquecida em casa? A situação é comum entre os brasileiros e ajuda a explicar um problema recorrente na saúde pública: o desperdício de medicamentos. Além do prejuízo financeiro para as famílias, o armazenamento de sobras favorece a automedicação, aumenta o risco de intoxicações e dificulta o descarte correto dos produtos.

Especialistas em assistência farmacêutica alertam que a venda de embalagens fechadas, muitas vezes com quantidade superior à prescrita pelo médico, contribui diretamente para esse cenário. Em campanhas recentes sobre o uso racional de medicamentos, profissionais da saúde voltaram a defender medidas que reduzam o desperdício e ampliem o acesso da população aos tratamentos.

Foi pensando nessa realidade que o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio apresentou o Projeto de Lei nº 2.736/2015, que determina que farmácias e drogarias possam fornecer exatamente a quantidade de medicamentos prescrita na receita médica.

Compra na medida certa beneficia pacientes e reduz desperdícios

Pela proposta, o consumidor deixaria de comprar caixas fechadas quando a prescrição médica exigir uma quantidade menor de comprimidos, cápsulas ou unidades do medicamento.

Na prática, um paciente que necessite de apenas dez comprimidos para concluir o tratamento poderia adquirir exatamente essa quantidade, evitando gastos desnecessários e reduzindo o volume de medicamentos que permanecem armazenados nas residências.

Segundo Marcelo Álvaro Antônio, a medida representa uma forma de tornar os tratamentos mais acessíveis para a população. “Muitas famílias deixam de iniciar ou concluir um tratamento porque o custo do medicamento pesa no orçamento. Permitir a venda fracionada significa oferecer uma alternativa mais econômica, reduzir desperdícios e ampliar o acesso à saúde”, comenta.

Menos sobras também significam mais segurança

Outro benefício apontado por especialistas é a redução da automedicação. Medicamentos que permanecem guardados em casa frequentemente são reutilizados sem orientação médica, o que pode provocar reações adversas, mascarar doenças ou contribuir para o uso inadequado de antibióticos e outros medicamentos de controle especial.

Além disso, o descarte incorreto desses produtos também representa um desafio ambiental, já que muitos remédios acabam sendo descartados no lixo comum ou na rede de esgoto, contaminando o meio ambiente.

Projeto busca tornar os tratamentos mais acessíveis

O Projeto de Lei nº 2.736/2015 propõe que farmácias e drogarias disponibilizem ao consumidor apenas a quantidade necessária para o tratamento indicado na receita médica.

Segundo o parlamentar, além da economia para as famílias, a medida pode contribuir para melhorar a adesão aos tratamentos e reduzir o desperdício de medicamentos em todo o país. “Saúde também é eficiência. Quando evitamos desperdícios, economizamos recursos, ampliamos o acesso aos tratamentos e construímos um sistema mais inteligente para todos”, comenta o deputado Marcelo Álvaro Antônio.

Uso racional de medicamentos é desafio permanente da saúde pública

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas entidades ligadas à assistência farmacêutica defendem o uso racional de medicamentos como uma das estratégias mais importantes para melhorar os resultados dos tratamentos e reduzir riscos à população.

Para Marcelo Álvaro Antônio, iniciativas que promovam o consumo consciente e ampliem o acesso aos medicamentos devem fazer parte das políticas públicas de saúde.”Pequenas mudanças podem gerar grandes resultados. A venda fracionada representa uma medida simples, mas com potencial para beneficiar milhões de brasileiros, reduzir desperdícios e tornar os tratamentos mais acessíveis”, conclui.

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