Proteção à Infância

Swatting: trote digital investigado em Minas Gerais alerta para riscos do uso da internet por adolescentes

Publicado em 12/10/2026

Operação realizada em Belo Horizonte apura atuação de jovens em trote digital (swatting). Eles teriam criado ameaças falsas para provocar ações policiais contra pessoas inocentes

Uma prática pouco conhecida do público em geral entrou no radar das autoridades em Minas Gerais e chama atenção para um problema cada vez mais presente na vida de crianças e adolescentes: o uso da internet para provocar situações de violência, ameaça e mobilização das forças de segurança.

Conhecido como swatting, o golpe consiste em utilizar informações falsas para fazer com que a polícia ou outros serviços de emergência sejam enviados até o endereço de uma pessoa que não tem relação com a suposta ocorrência. O tema ganhou repercussão em Minas Gerais após uma operação realizada em Belo Horizonte no dia 1º de outubro. A ação investigou dois adolescentes, residentes em Minas Gerais e São Paulo, suspeitos de criar perfis falsos e utilizar esses perfis para enviar ameaças atribuídas a terceiros.

A investigação apontou que o objetivo seria provocar a atuação das forças de segurança contra pessoas inocentes. Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que serão submetidos à perícia. A ação contou com a participação do Grupo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), do Ministério Público de Minas Gerais, além de equipes de outros estados. A investigação tramita sob sigilo.

O que é swatting?

O termo swatting vem de uma referência às equipes policiais de resposta a situações de alto risco e passou a ser utilizado para definir uma modalidade de trote digital particularmente perigosa.

Na prática, o autor cria uma situação falsa e apresenta às autoridades informações que podem fazer parecer que determinada pessoa está envolvida em uma ocorrência grave. A intenção é provocar o deslocamento de policiais até o endereço da vítima.

O problema é que, diferentemente de um trote convencional, o swatting pode gerar consequências reais. A pessoa que tem seus dados utilizados na falsa denúncia pode ser surpreendida pela chegada de equipes policiais sem saber sequer o motivo da operação.

No caso investigado em Minas Gerais, a suspeita é de que perfis falsos tenham sido utilizados para atribuir ameaças a outras pessoas e induzir as forças de segurança a agir contra elas. A utilização de ferramentas digitais para provocar situações desse tipo também mostra como a tecnologia pode ser usada de maneira indevida por usuários que ainda estão em processo de formação e compreensão das consequências de seus atos.

Adolescentes e os novos riscos do ambiente digital

A presença cada vez maior de crianças e adolescentes nas redes sociais, plataformas de vídeo, aplicativos de mensagens e comunidades virtuais ampliou também os desafios relacionados à segurança digital. A preocupação não está apenas no acesso a conteúdos inadequados.

Crianças e adolescentes podem ser expostos a aliciamento, cyberbullying, golpes, desafios perigosos, ameaças, exposição indevida e outras formas de violência praticadas ou potencializadas pelo ambiente virtual. Por isso, especialistas e autoridades têm defendido a combinação entre educação digital, acompanhamento familiar, atuação das escolas, responsabilização de quem pratica crimes e mecanismos capazes de reduzir a exposição de menores a situações de risco.

O caso do swatting em Minas Gerais acrescenta mais uma dimensão a esse debate: a necessidade de ensinar crianças e adolescentes que as ações realizadas no ambiente digital podem produzir consequências concretas fora das telas.

Proteção digital também está no debate legislativo

A proteção de crianças e adolescentes diante dos riscos do ambiente digital também aparece entre as iniciativas legislativas apresentadas pelo deputado federal Marcelo Álvaro Antônio. Entre elas está o PL 1.690/2025, que propõe medidas de prevenção, responsabilização e repressão a conteúdos digitais que incentivem desafios perigosos envolvendo menores de idade.

A proposta também prevê ações de educação digital e a criação de mecanismos voltados à segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual. “A proteção de crianças e adolescentes precisa acompanhar a velocidade das transformações no ambiente digital.

A internet oferece oportunidades, mas também criou novas formas de exposição e violência. Por isso, precisamos combinar educação, prevenção e instrumentos legais capazes de responsabilizar quem utiliza a tecnologia para colocar menores em situação de risco”, comenta o deputado.

Outra iniciativa apresentada pelo parlamentar é o PL 3.963/2025, que propõe alterações na legislação para impedir a monetização de conteúdos digitais que contenham erotização de crianças e adolescentes e estabelecer responsabilidade para plataformas em determinadas situações. Há ainda o PL 3.875/2025, voltado à inclusão, no Estatuto da Criança e do Adolescente, de condutas relacionadas à exploração sexual implícita, exposição sexualizada e adultização forçada de crianças e adolescentes em plataformas digitais.

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